O mundo em quebra

A Mandalah tem o hábito de não pensar em consumidor. Pensa em clientes. Clientes que são maridos, pais, profissionais. Ela é uma empresa de inovação consciente, sintonizada com a mudança que impacta os homens ao redor do mundo.

Victor Cremasco, sócio da Mandalah, começou sua palestra no Plusoft Experience apresentando a cronologia da humildade. O tema: “O impacto da inovação tecnológica no relacionamento com o cliente”. Quem a gente é e como podemos compreender a nossa vida no mundo. Em uma trajetória da vida delineada em um ano, seríamos apenas um segundo dessa jornada. E em menos de um segundo encerramos 35% da vida na Terra.

Vivemos 3 quebras, todas elas conectadas: ecológica, social e espiritual. À elas soma-se a quebra mercadológica. Apenas 32% das pessoas acreditam na sinceridade dos propósitos corporativos com relação à sustentabilidade. A confiança nas grandes empresas mal chega a 20% das pessoas. Em contrapartida, o faturamento da Apple é superior ao PIB de 104 países. Estamos definitivamente vivendo uma mudança cultural.

Esse é o contexto que envolve a Mandalah. Uma butique de inovação global com apenas 40 pessoas e sediada em diversas metrópoles globais. Seus projetos para Kimberly Clark e C&A, Shoppings da Sonae Sierra, GM, Nike buscam fornecer compreensão dessa era de mudanças a fim de garantir e assegurar a relevância dessas marcas para clientes cada vez mais agnósticos a marcas.

As empresas querem se transformar a partir das novas tecnologias e procuram a Mandalah por conta disso.

Agilidade e Transparência

Um olhar para a Geração Z mostra que 73% dessas pessoas, de 12 a 18 anos, têm smartphones e só conseguem oferecer 8 segundos de atenção. E serão eles que irão experimentar as nossas inovações. O pressuposto da tecnologia atual é permitir às pessoas fazerem o que quiserem quando quiserem, alargando a jornada do cliente. O momento da verdade não se resume à compra ou mesmo a reinventa.

“Já não é novidade que as empresas estão pedindo dados dos seus clientes e essa demanda é para gerar valor a eles”, enfatiza o consultor. A transparência no uso dos dos dados pode permitir a personalização, mas tudo deve ser colocado claramente para os clientes. E quantas empresas estão dispostas a realmente abrir suas informações e o destino dos dados que coletam para seus clientes?

As experiências únicas

A busca da inovação aberta. A definição do propósito. A cultura das startups. São vetores que criam ansiedade nas organizações. Se por um lado grandes corporações estão voltadas para gerar impacto social genuíno, por outro há uma gigantesca massa de empresas que estão diante do dilema de se reinventar diante da encruzilhada: ter o espírito desbravador da startup ou aprimorar a cultura para fazer frente diante do cenário de mudanças? O fato é que as empresas precisam entender que a tecnologia está relacionada à ética. Até que ponto uma nova tecnologia está impregnada de conceitos e valores definitivamente éticos? A real experiência única que tanto se cobra e se procura está intimamente relacionada à impressão sensorial.

Victor, da Mandalah, fala que a tecnologia hoje caminha para a redução do custo de vida e, por extensão, uma virtual redução do número de empregos. Vivemos afinal a área on/off, fluidos, juntos, o sistema andando junto com a humanização.

O ludismo e a poesia são capturadas pela tecnologia? Esses aspectos sensoriais estão contemplados nessa “era de efemeridades”, conforme a definição de Walter Longo?

Cremasco encerrou sua apresentação citando um estudo sobre grupos que fitaram árvores e prédios cinzentos. Diante de um suposto acidente, os grupos que olharam árvores se predispuseram a ajudar vítimas em até 40% mais vezes que aqueles que olharam edifícios. Até que ponto estamos encarando nossas quebras cotidianas?

Que a beleza do mundo possa nos inspirar a sermos melhores e a inovar com mais consciência.

 

*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conhecimento do Grupo Padrão.