Uma empresa que ousou desenvolver CRM no Brasil, ousou ainda mais ao pensar em desenvolver diversas suítes tecnológicas que acompanham a evolução do consumidor. Esta é a Plusoft, que depois de 28 anos enfrentando os desafios naturais de ser uma empresa de tecnologia de software em um país como o Brasil promoveu um primeiro evento dedicado a associar networking e conteúdo – o Plusoft Experience 2016.

O evento teve início na quinta-feira, dia 01/09, data emblemática, que coincidiu com o fim do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e quiçá seja o ponto de partida de uma fase de recuperação da economia brasileira. O Plusoft Experience escolheu a aprazível região do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, no Hotel Spa do Vinho. Em meio as suaves colinas, vinhedos e vistas magníficas – que lembram demais a região central da Itália, o Plusoft Experience trouxe o publicitário e especialista em comunicação Walter Longo, Presidente do Grupo Abril como palestrante de abertura. Sua palestra – “O melhor está por vir – a tecnologia alterando a realidade” foi um intenso exercício de provocação.
“Gestão é dividir o tempo entre tendência e pendência”. É assim que Walter Longo iniciou sua palestra. O fato é que estamos todos preocupados com o tempo, com o tático e não com o futuro.

O futuro enviesado pelo presente

A nossa ideia de futuro é condicionada pela nossa visão presente. Longo afirma que isso deriva de nossa miopia. Vivemos preocupados com o futuro, em uma angústia crescente. Um bom exemplo foram os ensaios sobre o apocalipse pós-crise do petróleo. Um mundo sem petróleo era vaticinado. E hoje, 40 anos depois, vivemos um período de abundância do petróleo.

“Por que continuamos acreditando na próxima catástrofe?”, questiona o executivo. “Quando um problema surge, não vemos saída”. A solução antecipada de um problema que não existe… Não existe!!! O pessimismo sempre foi desmentido ao longo da história.

As estatísticas comprovam que o mundo melhora em todos os aspectos – culturais, morais, de saúde, segurança e integridade da vida. Mas a sensação de que as coisas estão piores permanece. Por que? “É a síndrome da satisfação reversa, uma sensação que subestima a capacidade de regeneração da sociedade e da natureza”. Submetidos a muita informação, tendemos a acreditar que as coisas ruins dominam as pautas.

Evolução e mudança

Estamos diante do dilema de encarar a realidade: a evolução e a mudança estão cada vez mais rápidas. E como isso impacta a gestão de nossa vida pessoal e profissional? Walter Longo acredita que é necessário manter uma visão de mundo otimista, mas conscientes de que a mudança e a evolução são irremediáveis. “Entramos na era da efemeridade”. Relações fugazes, fugidias e sem grande perenidade, na onda de uma aceleração desconcertante são a constante. O paradoxo de vivermos na constância da mudança.

Os Millennials não querem se aprofundar em qualquer tema, a não ser mergulhar nas ondas da digitalização, reinícios frequentes, de marcas, relacionamentos, aspirações e Apps. É a nossa nova sociedade. O tal do “plano de carreira”, não resiste diante dos valores da efemeridade que serão permanentes diante do jeito de ser dos Millennials.

E as empresas têm de aprender a serem efêmeras para se manterem perenes. “A efemeridade altera destinos de uma forma nunca vista”, provoca Longo.

É como Clemente Nóbrega afirma: “O cérebro humano não está equipado para lidar com tamanha mudança presente na era da efemeridade”. Longo defende que devemos entrar de modo entusiasmado nesse novo mundo, tentar exercitar o cérebro para lidar com essa mudança permanente.

Era da mutualidade

Walter Longo também provocou ao dizer que estamos entrando na era da mutualidade. As máquinas estão aprendendo a falar entre si, criando protocolos e aprendendo com as informações que compartilham. Nada mudará mais a sociedade tão é mais velozmente que a Internet das Coisas.

“Caberá aos homens apenas transformar informação em insights” enfatiza Walter Longo, “mas por enquanto”. Afinal, já é possível conceber redações de veículos de imprensa com informação sendo gerada por robôs. Um bom exemplo de mutualidade é o aplicativo Waze, que combina dados diversos, inclusive informações repassadas por seres humanos, para traçar as melhores rotas – claro que o App ainda precisa evoluir para lidar com uma cidade tão caótica e mal administrada como São Paulo – que modifica os trajetos de regiões diversas quase que diariamente…

Comunicação com sincronicidade

O marketing como o conhecemos, inclusive de relacionamento estão passando por uma grande transformação. Os bancos de dados tornaram-se “bandos de dados”, afirmou o executivo, traduzindo o sentimento comum. E atire a primeira pedra qual executivo não questiona a qualidade dos seus dados.

Os fatos são mais relevantes para alterar o comportamento de consumo do que os dados. A adoção de um cachorro, a entrada em uma academia, a compra de um carro ou a venda dele, o uso de um carro – fatos que denotam mudanças de comportamento e que prevalecem sobre dados demográficos. Na era da efemeridade, a sincronicidade deve ser levada em conta para responder às necessidades dos clientes – atender às novas políticas de gestão dos relacionamento com os consumidores. Ou seja, “devemos detalhar e entender as informações temporais e causais que afetam o cotidiano das pessoas”, afirmou o presidente do Grupo Abril.

Empresas como circos

“Incerteza e adaptação devem fazer parte de qualquer previsão”. Temos de nos adaptar ao que será. Temos de reciclar ideias, conceitos e visões de futuro.

Longo encerrou sua apresentação dizendo que devemos nos bravatear nos antigos circos. Qual outro negócio mudava de cidade quando o mercado começava a decair? Não por acaso, as paredes da sede do Google em Mountain View são de lona. A visão perene não combina mais com o mundo. “O circo é efêmero, corre riscos, trabalha com o inesperado. As novas empresas também devem ser assim”, conclui o executivo. Ainda que o circo como espetáculo seja anacrônico, suas premissas como negócio estão mais válidas do que nunca. Ser como o “Cirque du Soleil”, que entende que nunca no mesmo lugar, há sempre o mesmo espetáculo. É a visão da efemeridade que faz da ideia de Guy Laliberté um negócio exponencial. É uma inspiração para as nossas empresas nessa nova era.

Ao picadeiro, amigos. Abram-se as cortinas e que comece o espetáculo.

 

*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo do Grupo Padrão.